Arquivo de Visão Saúde Ed 27 - ABRAMGE https://abramge.com.br/tag/visao-saude-ed-27/ Associação Brasileira de Planos de Saúde Tue, 09 Apr 2024 14:32:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://abramge.com.br/wp-content/uploads/2023/11/cropped-icone-sistema-color-32x32.png Arquivo de Visão Saúde Ed 27 - ABRAMGE https://abramge.com.br/tag/visao-saude-ed-27/ 32 32 Porque segurança, eficácia e custo-efetividade são importantes na saúde? https://abramge.com.br/porque-seguranca-eficacia-e-custo-efetividade-sao-importantes-na-saude/ Tue, 05 Dec 2023 17:55:20 +0000 https://abramge.com.br/?p=1567 O setor da saúde no mundo todo, inclu- sive no Brasil, deve enfrentar nos pró- ximos anos muitos desafios que vêm com o envelhecimento da população. No contexto dos cuidados com a saúde, esse envelhecimento populacional traz algumas preocupações porque aumenta a pressão sobre o sistema na medida em que doenças crônicas e doenças do… Continue a ler »Porque segurança, eficácia e custo-efetividade são importantes na saúde?

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O setor da saúde no mundo todo, inclu- sive no Brasil, deve enfrentar nos pró- ximos anos muitos desafios que vêm com o envelhecimento da população.

No contexto dos cuidados com a saúde, esse envelhecimento populacional traz algumas preocupações porque aumenta a pressão sobre o sistema na medida em que doenças crônicas e doenças do fim da vida tendem a aumentar. Além disso, também vivemos um momen- to em que diagnósticos de transtorno do espectro autista, doenças autoimunes e de- generativas aumentaram.

Ao mesmo tempo, vivemos uma era de rá- pido avanço tecnológico. Novos medicamentos, exames e tratamentos surgem o tempo todo, ofe- recendo mais possibilidade de cuidados e prolon- gamento da qualidade de vida dos pacientes.

Quando juntamos esses cenários, apre- senta-se um grande desafio para a saúde su- plementar que é a incorporação de novas tec- nologias por um preço que não onere demais o sistema. Ao contrário do que acontece em outros setores, nos quais o avanço tecnológi- co tende a baratear, na saúde a propensão é aumentar os custos.

“Temos recursos finitos e as de- mandas estão se tornando infinitas”, diz Cassio Ide Alves, superintendente médico da Abramge.

É nesse contexto que todo o setor debate sobre o limiar de custo-efetividade, um pa- râmetro para definir preço de incorporação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limiar de incorporação é de um PIB per capita por ano. O PIB per capita de 2022 é de R$ 40 mil. Então, se- rão incorporadas tecnologias que tenham um valor de 1 PIB per capita por QALY (Quality-Adjusted Life-Years), que é um ano de vida conseguido com qualidade.

No Brasil, esse limiar existe apenas para o Sistema Único de Saúde (SUS). No âmbito da saúde suplementar, é um tema que vem sendo debatido há anos, mas ain- da sem consenso e repleto de desafios.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), inclusive, realizou, em agosto, o seminário “Parâmetros de Ava- liação Econômica no Processo de Atua- lização do Rol”, que discutiu questões relacionadas ao limiar e aos impactos econômicos na saúde suplementar da incorporação de novas tecnologias.

Segundo Alexandre Fioranelli, diretor de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO) da ANS, ainda há muito a ser discutido para se chegar a um consen- so entre todos os agentes do sistema.

“O estabelecimento de limiar de custo-efetividade na saúde suplementar não pode prescindir de um de- bate amplo com a sociedade, considerando suas espe- cificidades e abrangência. A ANS iniciou os trabalhos de avaliação de impacto orçamentário a partir do Rol de 2021 e, com relação à questão do custo-efetividade, vem aprimorando suas análises principalmente a par- tir do rol contínuo, que foi implantado efetivamente em 2022. A equipe dialoga com os parceiros externos que elaboram a análise crítica das propostas e vem tra- zendo a cada dia novos elementos para apoiar a dis- cussão relativa ao custo-efetividade. Dados os curtos prazos de análise das tecnologias determinados pela legislação vigente, ainda não é possível falarmos em elaboração de modelos próprios de custo-efetividade da saúde suplementar pela ANS. Contudo, as análises das submissões vêm sendo aprimoradas e as informa- ções sistematizadas para proporcionar transparência aos resultados dos estudos analisados”, diz.

SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

(OMS), o limiar de incorporação é de um PIB per capita por ano. No Brasil, o PIB per capita de 2022 é de R$ 40 mil. São incorporadas tecnologias que tenham um valor de 1 PIB per capita por QALY (Quality-Adjusted Life-Years), que é um ano de vida conseguido com qualidade

COMO SE DISCUTE O QUE VAI SER INCORPORADO?

A ferramenta usada para a incorporação de novas tecnologias é a Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS), sustentada por três pilares fundamentais: se- gurança, eficácia clínica e custo-efetividade.

“Na saúde suplementar, no Brasil, discutimos segurança e eficiência, mas não discutimos preço de incorporação. É tudo preço CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) em valor cheio. Isso é um desperdício e utilização de recurso indevida. Não discutimos preço porque não temos o limiar de custo-efetividade”, avalia Alves.

O diretor da ANS explica que, no âmbito do SUS, o Ministério da Saúde pode discutir e negociar o pre ço porque é o único comprador. Já na saúde suple- mentar, são mais de 700 compradores, levando em conta o número de operadoras de saúde.

“No caso da ANS, além de não sermos pagador, o tipo de proposta de incorporação de tecnologias que recebemos é, na sua esmagadora maioria, de medi- camentos e procedimentos voltados para populações muito pequenas, ou seja, para agravos que podem ser considerados como raros e/ou relativos a tratamen- to de fim de vida, que são as exceções ao limiar do

SUS. Então, esse estabelecimento de limiar da saúde suplementar não pode prescindir de um debate amplo com a sociedade, considerando suas especificidades e abrangência desse assunto”.

Hoje, a agência tem ido atrás dos preços praticados pelo mercado que são encontrados na Troca de Infor- mação na Saúde Suplementar (TISS) e usado essa re- ferência em análise de sensibilidade, ou seja, quando é uma tecnologia que já está no mercado mas pode começar a ser utilizada para outro tipo de patologia.

Outro desafio da Agência na incorporação de no- vas tecnologias é o prazo. A ANS trabalha com uma demanda aberta e contínua e não pode fazer priori- zação. Quando surge o pedido de nova tecnologia, a avaliação precisa ser feita em seis meses, prorrogáveis por 90 dias. Se não cumprir esse prazo, a tecnologia é incorporada automaticamente. “É um trabalho hercúleo da equipe frente à responsabilidade e a necessidade de dar segurança para aqui- lo que a gente vai incorporar ou não”, diz Fioranelli.

O PROBLEMA DA INCORPORAÇÃO AUTOMÁTICA

Um dos grandes desafios da saúde suplementar é lidar com a incorporação automática ao rol de procedimentos de todas as tecnologias que são incorporadas no SUS.

“A diferença é brutal. A Lei 14.307, de 03/03/2022, modificou a forma como se incorporam medicamentos, que deu origem à RN 555, da ANS, que trata do rito de incorporação do rol. Ela diz que tudo que for aprovado no Conitec do SUS para incorporação assis- tencial tem de ser incorporado em 60 dias, sem nova discussão para a saúde suplementar. Até aqui muito adequado. Porém, ela diz também que não se aproveita nada do que se discutiu no SUS para a Saúde Suple- mentar. Quando se incorpora um medicamento, a ATS analisa essas evidências científicas de eficácia e segurança. No SUS, essa diretriz é dada pelo PCDT – Protocolo Clínico de Diretriz Terapêutica. Para a Saúde Suplementar não vem nem o PCDT. Acabamos utili- zando a bula que serve para registro sanitário como é feito no mundo inteiro”, relata Cassio Ide.

Outra questão que é impactada pela incorpora- ção automática é a capacidade das operadoras e dos prestadores de atenderem as demandas. Alexandre Fioranelli explica que, como o SUS é fonte pagadora e também prestador, concentra a decisão sobre qual o paciente que vai utilizar aquela tecnologia, em que hospital ou serviço de saúde. Quando incorporado na saúde suplementar, entram no jogo quase 700 opera- doras e 100 mil prestadores que atuam no País todo.

Fica difícil saber a capacidade instalada de todos os lugares, ou seja, não se sabe se todo território brasileiro tem condição de fazer utilização dessa tecnologia.

“A ANS tem assento na Conitec e nós temos enfatizado a importância de avaliar não só a questão econômica, mas também a disponibilidade das tec- nologias em todo o país. Esse aspecto é fundamental para garantir que a as- sistência será prestada”, acrescenta o diretor da ANS.

A IMPORTÂNCIA DO LIMIAR

A discussão sobre limiar de custo-efetividade na saúde suplementar sempre acaba pas- sando pela comparação com o que acontece no SUS, onde esse limiar já existe.

Para o advogado sanitarista e consul- tor em advocacy Tiago Farina, o limiar de custo-efetividade não tem funcionado bem no sistema público.

“O limiar foi pensado para tentar simplificar aquela tomada de decisão mais fácil. Coube no limiar, nem se entra em muita discussão. Não coube no limiar é preciso uma discussão mais profunda, é preciso estressar o sistema para garantir

que o paciente certo tenha acesso a tecnologia certa, na hora certa, na dose certa a um preço justo. Acho que isso não está acontecendo no SUS. Virou uma nota de corte e o sistema não está preparado para es- tressar esse debate”.

Uma das consequências disso é a judicialização da saúde, com muitos processos ativos para conseguir os tratamentos prescritos e desejados. Isso, além de ser desgastante tanto para pacientes como para as opera- doras de saúde, também impacta nos custos do sistema. “A judicialização e o ativismo legislativo a curto prazo parecem bons, mas a médio e longo prazo são terríveis. As pessoas precisam entender isso”, diz o superintendente médico da Abramge.

Para Farina, os problemas do setor de saúde são mais profundos. “Vivemos em um sistema de castas sani- tárias. Não podemos permitir que haja esse sistema de castas. Aquilo que pode salvar vidas tem que estar ga- rantido para todo mundo. Para isso acontecer tem que ter uma mudança completa na forma de encarar a ava- liação de tecnologias em saúde. Não vai ajudar a gente ficar definindo limiar para o SUS e limiar para a saúde suplementar. Também não acho que faz nenhum sentido a gente partir da premissa de que limiar é para fechar acesso. Limiar tem que ser para garantir preço justo”.

A IMPORTÂNCIA DOS DADOS E DA CONSCIENTIZAÇÃO

Estabelecer uma relação de custo-efetividade de tec- nologia exige dados. Alexandre Fioranelli diz que a agência analisou cerca de 36 mil estudos científicos em 11 meses no trabalho de avaliação de tecnologias. Porém, ainda faltam dados sobre o impacto dos tratamentos na vida real das pessoas.

“Custo-efetividade vamos começar a definir quando tiver protocolos de monitoramento de tecnologias no País. Só quando eu conseguir alinhar todos os agentes do setor – indústria, operadora, prestador, sociedade médicas – vou começar a ter realmente dados da vida real e poder dizer se a tecnologia foi custo-efetiva ou não”.

Além disso, também é preciso um tra- balho intenso de educação da sociedade. Muitas vezes, a pessoa ouve falar sobre uma nova tecnologia e já quer utilizar. Mas, antes, é preciso saber se ela é realmente boa. Porque nem toda nova tecno- logia é melhor do que sua antecessora.

O sistema de saúde em geral é complexo porque envolve muitos atores: médicos, pacientes, poder público, órgãos reguladores, indústria de medica- mentos, fabricantes de tecnologias etc. Alinhar todos os interesses e encontrar o ponto de convergência que traga equi- líbrio para o sistema é um dos grandes desafios do setor.

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Conheça a importância do cálculo atuarial https://abramge.com.br/conheca-a-importancia-do-calculo-atuarial/ Mon, 04 Dec 2023 21:20:53 +0000 https://abramge.com.br/?p=1561 Quando pagamos o nosso plano de saúde mensalmente não paramos para pensar que o cálculo atuarial está por trás e é ele que estabelece o valor justo para as despesas A aplicação de estimativas de prejuízos e definição dos prêmios dos seguros, baseado no princípio do mutualismo, propõe que a perda de alguns sejam cobertas… Continue a ler »Conheça a importância do cálculo atuarial

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Quando pagamos o nosso plano de saúde mensalmente não paramos para pensar que o cálculo atuarial está por trás e é ele que estabelece o valor justo para as despesas

A aplicação de estimativas de prejuízos e definição dos prêmios dos seguros, baseado no princípio do mutualismo, propõe que a perda de alguns sejam cobertas pelos valores pagos antecipadamente pela coletividade entre os beneficiários de planos de saúde. Esse conceito é aplicado na saúde suplementar, em que todos pagam pelo plano de saúde, mas poucos precisarão de tratamentos mais onerosos. É o mesmo princípio do seguro de carro, o qual pagamos para contar com a segurança caso algo nos aconteça, seja um roubo ou um acidente.

Definir o valor de pagamento mensal do plano é apenas uma das muitas aplicações, conforme Raquel Marimon, presidente do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). “Também será  o cálculo atuarial que irá determinar quanto do dinheiro deve ser guardado para arcar com os custos das coberturas de saúde para os clientes deste plano”. Já que ele é responsável por garantir o sucesso das operadoras, Raquel nos ajuda a entender melhor como ele funciona.

1. O que é cálculo atuarial?

É um tipo de cálculo em que aplica-se fórmulas específicas que se destinam a trazer respostas numéricas para problemas de negócios que envolvem riscos e garantias. É um cálculo atuarial que vai determinar o preço que se paga por um seguro, ou quanto se deve guardar todo mês para ter a garantia de uma aposentadoria no futuro.

2. Quando e por que ele foi criado?

O cálculo atuarial nasce das necessidades sociais e somente existe baseado no princípio do mutualismo (coletividade), expressão que significa a existência de um coletivo de pessoas que passa por situações de riscos semelhantes e que, juntos, tenham acesso a uma cobertura que anule ou reduza os riscos envolvidos.

3. Para  que o cálculo serve?

São os cálculos atuariais que garantem que uma empresa operadora de planos de saúde terá os recursos necessários para garantir a cobertura de tudo o que está previsto no contrato. Também são estes cálculos que visam garantir que estas empresas continuem tendo recursos de forma contínua, garantindo sua solvência ao longo do tempo, oferecendo continuidade à cobertura contratada.

4. Qual é a importância dele no setor de saúde?

No setor de saúde, conhecido em muitos países como seguro saúde, também foi necessário estabelecer um nível de supervisão e regramento, papel assumido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no Brasil. O cálculo atuarial visa estabelecer o valor justo para garantir as despesas que estão cobertas pelos planos de saúde, assim como estabelecer de forma equilibrada os montantes que devem ser guardados, o que chamamos de reservas ou provisões. Também é um cálculo atuarial que vai determinar, com base nos riscos assumidos por uma operadora de planos de saúde, o montante de capital necessário para que uma empresa seja considerada solvente. Enfim, o cálculo atuarial pode determinar o sucesso e a continuidade de uma operadora.

5. Ele é relevante tanto  na saúde pública como privada? Por quê?

O cálculo atuarial é necessário em ambas as esferas, embora na prática de saúde no Brasil a atuação dos profissionais atuários esteja mais presente na saúde privada. Isso se dá pela responsabilidade fiscal e exigência da regulamentação. No setor público, o garantidor do risco é o orçamento para a saúde pública, gasta-se dentro deste orçamento e pronto, sem exigências adicionais. Já no setor privado, há uma promessa de garantia de cobertura para cada cliente de plano de saúde, assim, independente do orçamento prévio da companhia, ela assume um risco e deve ter robustez financeira para honrar esse compromisso. Por isso, também, a importância de se observar e seguir as regras contratuais entre toda a coletividade, sem exceções.

6. Como é feito o cálculo?

O atuário é o profissional especializado e que domina o cálculo atuarial. Embora as fórmulas atuariais sejam compostas em sua grande parte por operações simples, elas podem ser um tanto extensas envolvendo uma ampla gama de variáveis, o que torna este cálculo mais complexo aos olhos de um leigo. A compreensão do impacto de cada uma destas variáveis sobre os negócios que garantem riscos é uma habilidade do atuário. Os cálculos atuariais podem ser desenvolvidos em ferramentas atuariais de mercado, assim como em softwares estatísticos ou escritos pelo profissional em linguagem de programação. Serão necessárias informações sobre os riscos que serão cobertos, estatísticas, dados demográficos da população coberta e os custos de tratamento das patologias cobertas para realizar estes cálculos.

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“Nosso trabalho é ajudar que o setor esteja de pé em 2030” https://abramge.com.br/nosso-trabalho-e-ajudar-que-o-setor-esteja-de-pe-em-2030/ Mon, 04 Dec 2023 21:14:08 +0000 https://abramge.com.br/?p=1557 Deputado Doutor Luizinho defende a relevância dos sistemas público e privado de saúde e indica a hierarquização dos procedimentos em saúde como estratégia para ajudar a mudar o cenário atual Médico ortopedista com MBA Executivo em Saúde pela Coppead e pós-graduação em medicinado esporte e do exercício, Luiz Antônio Teixeira Jr., mais conhecido como DoutorLuizinho,… Continue a ler »“Nosso trabalho é ajudar que o setor esteja de pé em 2030”

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Deputado Doutor Luizinho defende a relevância dos sistemas público e privado de saúde e indica a hierarquização dos procedimentos em saúde como estratégia para ajudar a mudar o cenário atual

Médico ortopedista com MBA Executivo em Saúde pela Coppead e pós-graduação em medicina
do esporte e do exercício, Luiz Antônio Teixeira Jr., mais conhecido como Doutor
Luizinho, está em seu segundo mandato como deputado federal (PP-RJ).

Entusiasta da medicina e da saúde no Brasil, ele reúne os conhecimentos das áreas da saúde privada
e pública, uma vez que atuou também como Secretário de Saúde no Estado do Rio de Janeiro.
No parlamento, é reconhecido como um grande defensor do Sistema Público de Saúde (SUS),
mas também conhecedor da importância do Sistema de Saúde Suplementar. “Imagine o caos que
iríamos viver no nosso País se as 50 milhões de vidas (número de beneficiários da saúde suplementar)
migrassem para o SUS?!”, comenta Luizinho sobre o mantra que repete todos os dias.

No primeiro mandato, foi uma liderança com atuação efetiva comandando a Comissão de
Enfrentamento à Pandemia de Covid-19 com desempenho reconhecido pela construção de pontes
e incentivo ao diálogo.

Atual líder do Partido Progressista na Câmara dos Deputados e eleito um dos parlamentares
mais influentes pela Arko Advice, suas reflexões visam a melhoria do sistema de saúde para a
população brasileira. “Não haverá sustentabilidade, se não criarmos uma hierarquização clara
dos procedimentos em saúde. Tenho falado isso na saúde pública e serve para a saúde suplementar.
Essa coisa de que a pessoa pode fazer uma consulta e sair dali com um pedido ou indicação
de um medicamento da mais alta terapia genética ou mais moderna, assim como sair da consulta
para um exame de maior complexidade sem olhar quando foi feito o exame anterior, não gera a
sustentabilidade no sistema”. Confira a entrevista exclusiva concedida à Visão Saúde.

FOTOS: CELINA GERMEER

Visão Saúde – Como gestor da área da saúde,  como vê o cenário da saúde (pública e privada) no Brasil?

DOUTOR LUIZINHO  – O momento é muito preocupante. Temos o Brasil passando por uma inversão da pirâmide etária com o crescimento, principalmente, da população acima de 60 anos. Em 1950, tínhamos 10% da nossa população com idade acima de 60 anos e 30% com menos de 10 anos. Para 2050, 30% da nossa população terá acima de 60 anos e 10% abaixo de 10. É uma demanda superior de serviços em saúde, tanto público como privado com os avanços tecnológicos, fazendo com que tenhamos mais diagnósticos, mais tipos de tratamentos, que vão aumentar o nosso custo na saúde. É um momento complicado no Brasil e no mundo em que precisamos estar trabalhando com o diálogo, para ajudar a fortalecer o setor,  mantendo as condições de tratamento para todos os brasileiros.

Como projeta o cenário da saúde suplementar em 2030?

É um cenário muito desafiador. Vimos hoje uma saúde suplementar que não tem um grande entendimento por parte da população, nem por parte dos congressistas e do governo de que a saúde suplementar trabalha em um modelo de coletividade, que é o mutualismo, no qual as pessoas dividem os custos do cuidado de saúde entre todos os pagantes do plano de saúde. Umas pessoas utilizam menos ou, até mesmo, não têm necessidade de utilizar, ajudando assim a dividir o custo da saúde entre todos. É isso que torna o acesso ao cuidado de saúde possível a um maior número de pessoas. É preciso haver o entendimento de que isso é uma demanda de livre mercado, e se começa a ter uma judicialização muito grande e uma interferência muito grande em normatização, pode acabar por inviabilizar o setor. O nosso trabalho é ajudar que o setor esteja de pé em 2030.

O que considera essencial na saúde  suplementar do futuro?

Manter o acesso da população. Para isso, é necessário ter uma regulamentação clara, de forma que quem está aderindo ao plano de saúde saiba o que está contratando e que os planos de saúde saibam qual é a previsibilidade do que vai ser necessário para estabelecer os tratamentos. Para isso, é importante manter preços acessíveis para a população com terapias que atendam de forma adequada os seus clientes.

Como ampliar o acesso à saúde e a  sustentabilidade do setor?

A sustentabilidade é possível com a ampliação da base de clientes. Quanto mais beneficiários de planos de saúde tivermos no País, mais teremos a entrada de receitas, o que vai dividir as despesas. O que vejo de prioritário é a ampliação da base
de clientes para que esse setor
possa ficar de pé.

Do que vemos hoje, o que não deve constar na saúde suplementar do futuro? Por quê?

Não é possível prever o futuro em um mundo tão dinâmico. O que será necessário ter na saúde suplementar é o que será necessário para aquele usuário que fizer a adesão ao plano de saúde. Um regramento claro do que a pessoa está contratando como serviço e plano de saúde e o que ela vai ter. Estamos em um mundo de avanço tecnológico muito grande, para o bem e para o mal com novas tecnologias que geram tratamentos, que a princípio poderia dar bons resultados, mas nem sempre dão. Às vezes, em vez de dar bons resultados, gera somente aumento de custos. Não temos como prever um futuro, mesmo que próximo, mas podemos entender que precisamos de diálogo e união para o setor de saúde suplementar continuar de pé.

Como vê o emprego da inteligência artificial na saúde?
Quais são os benefícios para todos os componentes do mercado: consumidores, operadoras, prestadores de serviços como hospitais, indústria farmacêutica?

A inteligência artificial é uma realidade no mundo. Ela busca, principalmente, trazer economicidade nos serviços. O que precisamos entender é qual é o malefício de alguma inteligência artificial utilizada de forma negativa com a geração de fake news e de desvios, que possam prejudicar a saúde como um todo, não só a saúde suplementar. Ela é um avanço e precisamos saber usá-la.

Faz sentindo ter medicamentos distribuídos  em todo o País com preços diferentes (à exceção,
é claro, de uma cobrança extra por conta  de transporte e seguro)?

O Brasil é um país continental. Nesse tipo de causa, o que norteia é o mercado. Os medicamentos são itens essenciais. Obviamente, precisamos olhar que em algumas situações as intervenções do governo podem ser positivas. Em outras, a intervenção do governo pode atrapalhar o mercado. O mercado pode ir, aos poucos, se autorregulamentando e ampliando o número de empresas que vendem e produzem no Brasil.

Na sua visão, qual é a jornada  ideal na saúde?

A jornada ideal é aquela que dá o desfecho clínico e cirúrgico para o paciente, de forma que ele se sinta contemplado. Muitas pessoas falam da importância da saúde preventiva que, sem dúvidas, é muito relevante. Mas, do ponto de vista prático, quando alguém tem um agravo mais complexo, ou seja, quando um parente ou filho precisa de uma cirurgia, ou um pai de uma angioplastia, você quer ver um desfecho clínico ou cirúrgico satisfatório. Às vezes podemos cuidar preventivamente, mas se tivermos um agravo, precisaremos ter uma estrutura hospitalar e de médicos para ter um bom desfecho.

“Muitas pessoas falam da importância da saúde preventiva, mas, do ponto de vista prático, você
quer ver um desfecho clínico ou cirúrgico satisfatório”

O sistema de saúde, seja público ou privado, tem uma limitação de recurso. Como trazer o cuidado correto, mantendo a sustentabilidade do sistema?

Não tenho dúvidas de que o sistema de saúde brasileiro precisa passar por um processo de hierarquização de procedimentos. Não haverá sustentabilidade, se não criarmos uma hierarquização clara dos procedimentos em saúde. Tenho falado isso na saúde pública e serve para a saúde suplementar. Essa coisa de que a pessoa pode fazer uma consulta e dali sair com um pedido ou indicação de um medicamento da mais alta terapia genética ou mais moderna, assim como sair da consulta para um exame  de maior complexidade sem olhar quando foi feito o exame anterior, não gera a sustentabilidade no sistema. A liberdade de prescrição de exames, terapias e medicamentos está matando o sistema. Um médico recém-formado, que trabalha em uma UPA, não pode prescrever uma terapia gênica. Isso não é possível, mas é o que acontece,  e vai para a judicialização. Só vejo uma saída: a hierarquização do procedimento. Isso trará para o SUS e para a saúde suplementar uma condição de organizar a rede.

Saúde pública e privada têm desafios em comum

Atualmente, os problemas históricos já existentes dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), agora se unem aos grandes desafios na
saúde suplementar com os resultados operacionais negativos registrados nos últimos anos. “Vivemos um dos momentos mais difíceis da história da saúde no Brasil”, ressaltou o deputado Luizinho, durante o 27º Congresso Abramge, realizado em São Paulo.

Organizar uma nova rede de serviços é um desafio tanto para o setor público, como para o privado. “O setor de saúde suplementar tem em sua essência a venda de um produto em que a população tem de saber o que é que está comprando e onde quer ser atendido”.

Segundo ele, o setor de saúde suplementar precisa investir na criação de um protocolo único na saúde suplementar para compartilhar dados. “Não conseguimos ter cruzamento de dados. Enquanto cada grupo ficar com os seus dados, haverá uma inflação de exames e sobreposição de terapias. O setor precisa olhar para a implantação de um protocolo único como economicidade, e não olhar o dado como um patrimônio”, sugeriu.

“A ATS é uma etapa fundamental, pois garante segurança aos pacientes e previsibilidade para o mercado, a partir dos impactos de custo. Com o nível de excelência dessa metodologia, é possível ampliar o acesso das pessoas ao que há de melhor e mais seguro e moderno no mercado de saúde, garantindo-se a sustentabilidade do setor”

Luizinho argumenta que a não abertura dos dados impossibilita a economia porque se o paciente não levou o laudo da última ressonância
dele a um outro médico, será pedido outro. “Aqui não dá para discutir e dizer que ele fez o exame há dois meses, mas não levou o resultado”, disse, ao lembrar que a inflação de exames e terapias é um grande desafio do futuro.

Outro desafio do futuro é evitar que as mudanças legais e o marco legal da saúde suplementar piorem o cenário do setor. “O risco de propostas do caminho mais fácil é sempre sedutor, especialmente em anos eleitorais. Certamente, 2026 será um ano desafiador, mas temos  tempo para organizar a não piora desse marco legal”.

Por isso, ele defende a ampliação do diálogo com o congresso e sugere a revisão completa do marco legal da saúde suplementar. Além disso, ele indica parcerias público-privadas entre o SUS e a Saúde Suplementar. “Hoje temos uma grande oportunidade com os hospitais privados e filantrópicos, mas temos uma grande barreira. A falta de atualização da tabela do SUS desorganizou o sistema de saúde brasileiro. Os médicos recebiam através do código 7 e os hospitais, clínicas e Santas Casas, do código 4, mas como tudo foi unificado em uma tabela nova do SUS, que é completamente desatualizada, os prestadores foram deixando de realizar
serviços para o SUS. “Isso também é um risco que corre a saúde suplementar, de desatualização constante da tabela de remuneração e de pagamento. No Rio de Janeiro, fizemos um chamamento público de pagamento três vezes a tabela do SUS para cirurgia de prótese de joelho e quadril, o que foi um sucesso”, exemplificou.

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Alerta na Saúde https://abramge.com.br/alerta-na-saude/ Mon, 04 Dec 2023 20:53:39 +0000 https://abramge.com.br/?p=1552 A fraude e o desperdício são como uma doença crônica na saúde suplementar. O estudo “Fraudes e Desperdícios na Saúde Suplementar”, versão 2023, realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e a EY apresenta os impactos referentes ao ano de 2022. R$ 270  bilhões é o faturamento do setor de saúde suplementar 11,1%… Continue a ler »Alerta na Saúde

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A fraude e o desperdício são como uma doença crônica na saúde suplementar. O estudo “Fraudes e Desperdícios na Saúde Suplementar”, versão 2023, realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e a EY apresenta os impactos referentes ao ano de 2022.

é o faturamento do setor de saúde suplementar

é o que as fraudes representam na receita do setor

é o valor total das fraudes e dos
desperdícios

média no quarto trimestre de 2022

Fonte: Análise EY com dados das receitas totais em 2022 de Saúde + Odontologia (ANS Tabnet e Painel Contábil 2023)

Os desperdícios mais comuns ocorrem em 4 linhas principais de despesas

Fonte: Tackling Wasteful Spendind on Health – OCDE

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