Paciente, mas nem tanto

Já soa até um pouco ultrapassado falar sobre o empoderamento do consumidor nos tempos de hoje. Todos sabem – e muito já se escreveu – que quem compra um produto ou contrata um serviço não aceita mais ser enganado ou mal atendido.

Mais de 90% dos brasileiros, segundo pesquisa de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possuem um smartphone. E isso lhes dá uma ferramenta para se informar, rapidamente, e tornar suas escolhas mais fáceis. E também de denunciar empresas que julgam não serem merecedoras de confiança, causando estragos à sua reputação.

Mas, se é verdade que já se conhece muito bem os reflexos dessa mudança no setor de bens de consumo, pouco se sabe sobre seus efeitos na área da saúde. Ou, mais especificamente, na relação dos planos de saúde brasileiros com seus beneficiários.

Talvez essa dificuldade em visualizar o perfil do “novo paciente” seja consequência da maior complexidade nas relações entre operadoras, hospitais, laboratórios, médicos e dentistas com seus “clientes”. Em primeiro lugar, é complicado se contestar um diagnóstico ou prognóstico. Os profissionais de jaleco detêm um conhecimento tido quase como inatingível para o leigo. Além disso, muitas vezes o paciente está fragilizado e se sente impotente para cobrar um melhor atendimento. Como se tivesse anestesiado e resignado na sua condição de “segurado”.

Porém, de acordo com os consultores e executivos entrevistados pela reportagem que ilustra a capa desta edição da Visão Saúde [1], essa resignação começa a se esvair.

O paciente não quer mais apenas o acesso ao hospital ou médico de boa reputação; ele quer que o profissional de saúde converse com ele; que a fila ande mais rápido; que aplicativos facilitem a marcação de consultas e o acompanhamento do seu histórico médico; e que a operadora de plano de saúde organize tudo isso de forma eficiente e transparente. Ele quer, em suma, ser efetivamente cuidado.

Um exemplo bem-sucedido de modelo assistencial é a atenção básica na odontologia [2], tema de outra reportagem desta edição. Também não deixe de ler o texto sobre a verticalização na saúde suplementar, apontada como tendência que facilita o controle de custos e a resolutividade no atendimento aos beneficiários – mas que, segundo especialistas, não é a solução para todos os problemas do setor.

Ainda como destaque desta edição há a entrevista com Marco Bobbio [3], cardiologista que, além de ser filho do famoso filósofo Norberto Bobbio, é o criador do movimento internacional slow medicine.

Boa leitura.

 

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