Uso inteligente

O estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), divulgado em novembro passado, materializou em dados o que muitos já desconfiavam: os hospitais brasileiros são ineficientes e os “eventos adversos” ocorridos neles são a segunda maior causa de mortes no Brasil – apenas em 2016, foram mais de 300 mil vítimas de infecções, erros médicos e outras complicações adquiridas no ambiente hospitalar.

Ao mesmo tempo – é bom salientar – nosso país tem hospitais de primeira linha, que cumprem seu papel de tratar doenças agudas com eficácia e com base em protocolos clínicos, o que aumenta muito o nível de segurança e resolutividade dos tratamentos.

O grande problema sistêmico é que mesmo esses hospitais de excelência são usados de maneira inadequada. Desde os casos de uma simples gripe, que poderiam ser tratados em ambulatórios, até permanências além do tempo necessário em unidades de terapia intensiva, o uso abusivo dos hospitais é a regra do sistema de saúde brasileiro, tanto no atendimento público quanto no privado.

Além de expor, sem necessidade, os pacientes a riscos de complicações e infecções, o modelo “hospitalocêntrico” do Brasil encarece o cuidado às pessoas. Especificamente na saúde suplementar, o gasto com hospitais colabora decisivamente para a inflação desmedida dos custos assistenciais, fragilizando esse setor tão importante para a saúde no país.

A reportagem de capa desta edição mostra a gravidade da situação acima descrita e aponta os caminhos para enfrentá-la [1]. Para tanto, é preciso haver mudança ampla do sistema assistencial, para que este passe a oferecer a infraestrutura necessária para acelerar a desospitalização.

Outra história que contamos nas próximas páginas é a do crescimento dos planos odontológicos, que pouco sentiram a crise econômica e desenvolveram novos produtos e mercados nos últimos anos. Olhando para o futuro, ainda há muito espaço para sua expansão, já que esse tipo de plano representa atualmente cerca de metade do mercado de convênios médico-hospitalares.

Também são destaques desta Visão Saúde as parcerias entre startups, hospitais e operadoras, que buscam resolver grandes deficiências da saúde no Brasil com base em inovações tecnológicas [2], e a entrevista com o britânico Mark Britnell, autor de livro que analisou 60 sistemas de saúde diferentes ao redor do planeta. Ele elegeu 12 ações exemplares em distintos aspectos do cuidado assistencial – entre elas, uma do Brasil [3].

Boa leitura.

 

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