Novos paradigmas

O cenário político no Brasil está tão complexo, e as consequências de seus possíveis desdobramentos para a economia são tão diversos, que até os mais ousados analistas resistem a fazer prognósticos para os próximos anos. Os tempos atuais recomendam cautela e deixam quase todos em compasso de espera. As operadoras de planos médico-hospitalares, porém não podem se dar a este luxo: o de esperar para ver. Em dois anos, entre março de 2015 e março de 2017, 2,5 milhões de beneficiários deixaram de ser cobertos. Alguns sinais de recuperação econômica, aqui e acolá, ainda não são suficientes para animar o setor, que discute entre si, com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com a sociedade em geral, o que deve ser feito para dar sustentabilidade aos planos de saúde.

Desse amplo debate que tem se formado, já saíram alguns consensos. O principal deles é que o modelo do cuidado à saúde tem de mudar radicalmente, passando a funcionar sob os paradigmas da evidência científica, da mensuração de resultados e da racionalidade no uso dos recursos. Outra mudança que afetará as relações entre operadoras e beneficiários, e também o exercício da medicina, é a crescente conectividade e o avanço de tecnologias de inteligência artificial. Daqui a cinco anos, enfim, nada será como hoje na saúde suplementar. E ninguém melhor que os principais executivos do setor para nos dizer como serão – ou deveriam ser – os planos de saúde em 2022. Esse foi o tema do 22º Congresso Abramge e do 13º Congresso Sinog, realizados em agosto na cidade de São Paulo, e esse é o assunto da matéria de capa [1] desta edição da Visão Saúde. Outra reportagem interessante é a que aborda a importância da segunda opinião médica [2], mecanismo que confere mais assertividade a diagnósticos e terapias, e evita procedimentos desnecessários e inadequados, dando mais segurança aos pacientes.

Também mostramos um avanço regulatório da ANS, ainda em curso, que permitirá às operadoras exclusivamente odontológicas, participarem do programa de acreditação da agência [3]. Isso contribuirá, a partir da aprovação da nova regulamentação, para a evolução da gestão dessas empresas e dará ao consumidor mais instrumentos para decidir quem contratará. Não deixe de ler, ainda, a entrevista com Barbara Crawford, vice-presidente de Qualidade da Kaiser Permanente, uma das maiores e melhores operadoras dos EUA, e as outras seções desta edição.

Boa leitura.

 

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