Volta ao princípio

Muito já ouvimos sobre a medicina que se praticava várias décadas atrás, quando não havia tomografias computadorizadas e outras ferramentas tecnológicas disseminadas nos hospitais e clínicas de nossas cidades atuais. A figura central era o médico de família, que sabia de memória o nome e o histórico de todos seus pacientes. E ainda dava um doce para as crianças que se comportavam durante a consulta.

Bom, esse tempo passou. E, hoje, uma pequena parcela da população tem um clínico geral de sua confiança, que o encaminha para o especialista apenas quando há real necessidade. Isso faz muita falta. Como revela a reportagem de capa desta edição, estudos demonstram que em 80% dos casos em que alguém procura um serviço de saúde, o problema poderia ser resolvido na atenção básica [1]. Sem a necessidade de exames e consultas adicionais, que desperdiçam tempo dos pacientes e recursos dos sistemas de saúde.

Cientes dessa realidade – e pressionadas pela crise financeira – muitas operadoras privadas de assistência médico-hospitalar estruturam programas de atenção primária, que apoiam seus clientes na busca de maior qualidade de vida, diminuindo a chance de desenvolverem doenças, e direcionam melhor os tratamentos, com foco na eficiência. É um antigo paradigma que parece ter voltado para ficar.

Em outra reportagem [2], abordamos um problema que ameaça o desenvolvimento dos planos odontológicos no país: a desproporcionalidade das multas impostas pela ANS. Contamos o caso de uma pequena operadora condenada pela agência a pagar R$ 32 mil devido à negativa para a realização de uma única restauração dentária. Detalhe sórdido: a autorização foi concedida e a multa foi imposta devido a uma falha do processo de fiscalização. Por isso, antes de uma reforma mais ampla que considere a diferenciação desse segmento, é urgente mudar os critérios de cálculo e aplicação das multas.

Não deixe de ver, ainda, os outros destaques desta edição. Apresentamos o Leapfrog, uma iniciativa de indicadores de qualidade, nos EUA, que poderia ser replicada no Brasil; o lançamento de um livro [3] que expõe a dimensão e o funcionamento da máfia das próteses; e outras seções com conteúdos relevantes sobre o universo da saúde suplementar.

Boa leitura.

 

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